ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 486 - 24/11/2009
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LEITURAS DO ESTADÃO
E a tortura virou motivo de piada

Por Renato Rovai em 21/5/2008

No embalo da mais do que infeliz pergunta do senador José Agripino Maia (DEM-RN) à ministra Dilma Rousseff, quando  onde ele insinuou que Dilma poderia mentir à CPI por já ter feito o mesmo sob tortura na época da ditadura, o jornal O Estado de S. Paulo publicou, no dia 12 deste mês, a carta de um leitor fazendo graça com o tema:

"A gente já sabia, mas ao depor na comissão do Senado a ministra Dilma confirmou: nem sob tortura ela fala a verdade. Foi uma grande verdade".

Indignado, encaminhei ao responsável pelo Fórum dos Leitores do jornal o seguinte e-mail:

"Tenho inúmeras restrições ao jornalismo de O Estado de S. Paulo, mas assino-o em nome da minha empresa e por conta da minha atividade profissional, sou jornalista e editor. Hoje, porém, tive engulhos ao ver publicada a carta do leitor Mauro Miler. A publicação desse tipo de ‘piada’ grotesca atenta contra os direitos humanos e os valores mais caros da democracia. A prática da tortura é crime hediondo. Um jornal que se preze deve tratá-la sempre assim."

A resposta do editor de Fórum dos Leitores de O Estado de S. Paulo chegou-me na noite daquele mesmo dia.

"Caro senhor, claro que a prática de tortura é crime hediondo, ninguém pode discordar. E mordaça o que seria? Liberdade de expressão, sempre. E viva a democracia! Gratos pela atenção, Fórum dos Leitores".

Apesar de a resposta ser de um simplismo tosco e de uma pequenez insuportável, decidi abordar o assunto neste espaço exatamente porque quem respondeu pelo jornal utilizou o discurso da "liberdade de expressão" como manto para justificar um erro, no mínimo, ético do veículo.

O jornal tem garantido o direito de publicar tudo o que lhe pareça conveniente. Aliás, direito conquistado pela luta de pessoas como Vladimir Herzog, Rubens Paiva e Luiz Eduardo Merlino. Gente que foi torturada e assassinada durante a ditadura por ter cometido o bárbaro "crime de opinião".

O buraco é mais embaixo

Mas o caso não é esse e não pretendo me alongar nisso. O jornal tem garantido o direito de publicar o que lhe pareça correto, mas, se for sério, deve fazê-lo com base no respeito aos direitos humanos, à ética do seu tempo e aos limites da legislação do seu país. Tem garantido o direito de questionar a lei vigente, evidente, mas não deve confrontar aquelas cláusulas pétreas constitucionais do seu território, principalmente quando diz atuar em defesa do Estado democrático e de direito.

Por isso mesmo, não é aceitável que um veículo de comunicação que se diz sério ainda tenha dúvida em relação ao que significa fazer graça com o tema da tortura. Também por esse motivo não pode ser considerado sério e respeitável um jornalista ou um jornal que utiliza a bandeira da "liberdade de expressão" como justificativa para publicar uma carta onde a tortura é tratada de forma torpe e sem nenhum contraponto.

Mas se esses dois argumentos não bastam, vou recorrer ao exemplo do Estado de S. Paulo para ver se faço o jornal e o seu editor do Painel do Leitor entenderem do que estamos tratando. Esse e-mail que enviei e que foi respondido não foi publicado pelo jornal. Também não foram publicados e-mails enviados pelos leitores do meu blog. Por que o jornal fez isso? Censura, mordaça ou critério de edição?

Sem esquizofrenia, fico com a última opção. Acho que o editor do espaço preferiu divulgar aquilo que lhe parecia mais conveniente. No caso da carta que fazia "piada" com a tortura é isso que também parece ter acontecido. O editor do espaço quis publicar o lhe parecia uma crítica a uma ministra, a uma integrante do governo, quis mostrar que o jornal é de oposição.

Mas o buraco era e continua sendo mais embaixo. Tortura não é assunto que diga respeito a governo ou oposição. E felizmente muitos opositores do atual governo têm certeza disso. Como também defenestrar a tortura e não ceder espaço a quem a defende — ou a quem acha engraçado fazer piada com tema — não tem nada a ver com mordaça.

Fazendo graça

Essa carta publicada pelo O Estado de S. Paulo demonstra que estamos muito longe de ter um entendimento mínimo sobre quais devem os procedimentos éticos de um veículo de comunicação. Até porque, depois que tratei do assunto no meu blog recebi comentários dando conta de que cartas semelhantes foram publicadas em outros veículos impressos, inclusive de grandes centros como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul.

Dar vivas à liberdade de expressão por conta da publicação de cartas do tipo da que tratei é apostar na barbárie jornalística.

Ainda bem que, por conta da luta do povo judeu, hoje é considerado crime fazer piadas com o Holocausto. O mesmo se pode dizer em relação ao racismo no Brasil. Mas, infelizmente, parece que as vítimas e os parentes dos que sofreram violências na luta contra a ditadura ainda terão de lutar para que alguns jornalistas e seus veículos aprendam como tratar do tema. E como não tratar.

Comentários (41)
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william mendes , osasco-SP - bancário
Enviado em 29/5/2008 às 11:33:31 PM
Amigo Rovai, parabéns pela lucidez de sua exposição. Infelizmente, acho que ainda veremos muitas excrescências na chamada "liberdade de imprensa" de pseudo-jornalistas como esses que aparecem nos jornalões e revistas-drogas como Veja. Mas é preciso acreditar que os jovens de cunho mais solidário e humano vencerão os também jovens representantes do atraso nazi-fascista. Espero que a geração vencedora seja a que luta "por um outro mundo possível" Abraços
Ben  Delay , Cascavel-PR - agricultor
Enviado em 28/5/2008 às 9:05:43 PM
Prezado Sr. Rovai,na ocasião fiz o seguinte comentário no blog do Nassif: "Para um assunto tão sério e tão dolorido(TORTURA)ainda tem gente que leva na brincadeira,pode!!!!!!!!!Refiro-me a todos (ou quase todos)eu, você... E foi de uma infelicidade impar, o dito cujo ter feito uma intervenção no senado usando esse (assunto)“gancho”.Acho que devemos manter viva em nossas mentes a triste era da ditadura,para que os nossos netos não caiam nessa de novo.Mas fazer apologia!!!!!!!!!!!!!!! Acho também que os seres pensantes(leia-se mídia...??) não deram o devido destaque para o impensado e inoportuno ato do Sr. José Agripino. Eu (embora nunca tenha sido diretamente afetado) particularmente condeno com todas as minhas forças, o tanto que li e ouvi... o que foi (e o que é e continua sendo sabe-se lá onde,aqui ou em outro país)o expediente TORTURA. Métodos e variantes. Hediondo, Abominável, inadmissível, inconcebível... para uma espécie chamada homem... Tenho dito."
Caetano Greco Junior , São Paulo-SP - Arquiteto
Enviado em 28/5/2008 às 12:01:12 PM
Estudante João Carlos, você precisa ler mais e prestar atenção no que está lendo! Quem fez a "piada", e vai com aspas mesmo porque não a considero como tal, foi o EDITOR do Fórum dos Leitores, e não um leitor como seu comentário sugere. Que tal uma piadinha: Já pensou se todos os estudantes interpretassem os textos como você, hahahaha... Não tem graça nenhuma, né?
José Carlos , RIO DE JANEIRO-RJ - Estudante
Enviado em 28/5/2008 às 9:11:56 AM
Há muito tempo eu ouço a expressão "fazer uma tempestade num copo d água". É justamente do que se trata o artigo do Renato Rovai. O que o leitor do jornal fez foi simplesmente isso: uma piada. Há quem considere uma piada de mau-gosto, outros não. Mas nada além disso, Vamos reduzir a frase do leitor à sua real dimensão. Ele não fez em nenhum momento apologia ou defesa da tortura, foi simplesmente uma piada de caráter político. Me admira um jornalista como o Renato Rovai não entender isso. E, claro, a resposta do jornal não poderia ser maia apropriada.
Alexandre Weiss , Jaragua do Sul-SC - Pensador Socialista
Enviado em 27/5/2008 às 11:40:20 PM
O sujeito que fez essa piadinha, talvez nunca soube o que foi tortura. Talvez se tivesse sido vítima tortura, quem sabe perderia o hábito de fazer piadas idiotas. Essa piada dele é uma tortura para meu estômago.
Paulo Santos , Florianópolis-SC - Servidor Público
Enviado em 27/5/2008 às 3:14:29 PM
Sr. Thomaz Magalhães. Concordo, mas nada do que foi apurado aponta a criação intencional de um dossiê, apenas que alguém coletou as informações e as repassou. Com qual intenção? Além disso, o comportamento do assessor do Senador Álvaro Vale, durante o depoimento na CPI, [ ], cheio de contradições. O incrível é que a mídia simplesmente empurrou pra debaixo do tapete o papel do tal Senador.
Ruy  Acquaviva , São Paulo-SP - analista de sistemas
Enviado em 27/5/2008 às 11:22:24 AM
Gostaria de saber do Sr. David da Silva, que se declara jornalista, quais seriam as "muitas mentiras" que a Sra. Dilma proferiu, para merecer tal denominação. E o que levaria ela a merecer o título de "enodoada"... NADA, simplesmente NADA justifica tal afirmação e tal adjetivo. Apenas a vontade de atacar por atacar, sem justificativa nem motivo... Uma desqualificação total do debate político e uma desmoralização a mais para a já tão "enodoada" profissão de jornalista. Se é que o referido cidadão de fato exerce a profissão que está declarando. Para uma criatura dessas a tortura não é nada, o holocausto é motivo de piada, os judeus "divertem-se" com seu sofrimento... O que "enodoa" uma pessoa na opinião desse cidadão, é contrariar os interesses da oligarquia que domina a grande imprensa e a usa como arma de manipulação política...
Fernando Puga puga , são sebastião-SP - agronomo
Enviado em 26/5/2008 às 8:58:09 PM
Dá nojo, não só a publicação da carta como o desdém do jornal. Simplesmente nojento, assim como o Agripino.
thomaz magalhaes , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 26/5/2008 às 7:14:47 PM
Caro Paulo Santos, tudo que a imprensa falou sobre o dossiê Dilma Vânia, a começar pela sua origem na Casa Civil da Presidência da República está compravado pela investigação da polícia. Dona Dilma Vânia e sua equipe declararam pelo menos três "verdades", nas versões que deram aos fatos, como está no noticiário. Todas caíram, após os depoimentos de membros de sua equipe. Os auxiliares da Casa Civil declararam em depoimento que saiu de lá o tal dossiê enviado ao assessor tucano. A polícia aferiu que saiu do computador de um deles, embora ele tenha dito que saiu mesmo mas foi "sem querer". Resta, portanto, que temos opiniões diferentes. Eu acho que foi feito um dossiê e o senhor acha que não. O que me é interessante, por mostrar que somos de turmas diferentes. Outro comentarista aí abaixo diz que a ministra Dilma Vânia é mais corajosa que eu, ao dizer o que pensa. Tem toda razão. Porque não precisa coragem nenhuma para o que venho falando aqui.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 26/5/2008 às 12:37:02 PM
A resposta do editor do Fórum dos Leitores pode e deveria defender a liberdade de expressão, mas o que ocorreu foi uma torção na idéia de liberalismo. Renato Rovai não pediu "mordaça", ele solicitou que o jornal assumisse uma posição CLARA e firme a um crime que, Bushes e similiares fora, grande parte da Humanidade considera hediondo. Isso poderia ser feito através de adendo ou apartes junto à carta do leitor, ou mesmo publicando-se a opinião do editor em um artigo na segunda ou terceira páginas. Mas depois deste incidente, vou ficar alguns anos achando que o jornalismo do OESP acha que tortura é ruim, mas justificável, principalmente se for possível usá-la para queimar o filme do Governo Lula.
Marcelo Conti , São Paulo-SP - Bibliotecário
Enviado em 26/5/2008 às 10:38:16 AM
Se formos levar em conta o que o editor do Esta~do disse, "[...] mordaça o que seria? Liberdade de expressão, sempre. E viva a democracia!", em nome dessa liberdade e da democracia, por que o jornal em questão não faz piadinhas sobre o holocausto?
Paulo Santos , Florianópolis-SC - Servidor Público
Enviado em 26/5/2008 às 10:20:26 AM
Sr. Thomas Magalhães, como o Sr. pode falar que a Ministra mentiu se tudo indica que a imprensa não falou a verdade sobre o Dossiê?
Clovis Eduardo , São Pedro da Aldeia-RJ - Estudante de Comunicação Social
Enviado em 26/5/2008 às 8:26:02 AM
Concordo com o Sr Nelson Perez de Oliveira jr O jornalista aí abaixo só reforça o conceito de que na mídia carniceira vale tudo na guerra ideológica, desde perder a classe e o refino na crítica a afirmar posições hediondas, como o apoio a tortura (claro, desde que seja com alguém da esquerda e comunista). Isso é pq TALVEZ o jornalista nunca teve trauma por seu pai ter de sumir da família por anos, sem dizer onde foi nem se está vivo para não pôr em risco a vida dos filhos. Jornalista, seu comentário foi o mínimo vergonhoso para um profissional do seu porte.
José  Queiroz , João Pessoa-PB - Farmacêutico-bioquímico
Enviado em 25/5/2008 às 11:58:29 AM
Engraçado.A imprensa se utiliza da liberdade de expressão(do dono da empresa) para justificar tudo,mas se utiliza muito bem de um recurso da época da ditadura militar:A CENSURA. Não acho que todos aqueles que lutaram,foram torturados e morreram(inclusive jornalistas) pelo fim da censura queriam isso. Eles queriam acabar com a censura e não apenas mudar os censuradores.Infelizmente é isso o que acontece hoje.
nelson perez de oliveira jr , uberlandia-MG - bancario
Enviado em 25/5/2008 às 11:19:01 AM
É Thomaz Magalhães, jornalista, mas, Dilma foi mais homem que vc para defender o que acredita. Eu acho que daqui algum tempo jornalista vai passar a ser adjetivo de pessoa sem escrúpulos como no EUA se faz piada sobre advogado. É uma piada que um profissional ache graça na tortura, mesmo de criminosos, graça, deve ser porque os jornalistas defendem a liberdade de expressão e pressão dos torturadores. A tortura é um crime de covardia, onde um tem o poder e a "legitimidade" das autoridades, inclusive da mídia, de infligir dor a outro homem que pensa e age diferente. Vou fazer outra piadinha, covardia não é coisa de homem, então Dilma é muito mais corajosa e homem que muito político e jornalista por aí. É o jornalismo de Alexandre, que Garcinha!!!
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 25/5/2008 às 1:36:57 AM
O episódio Agripino-Dilma foi um dos momentos onde ficaram bem evidentes o tipo de caráter das pessoas que hoje são oposição e Governo. Arriscaria até dizer, se houvesse ainda algum jornalista sério de projeção midiática neste país, a resposta de Dilma já teria entrado para os anais de nossa História. Mas percebendo o potencial nocivo do tal episódio, é até compreensível que veículos ideológicos como o Estado de SP tentem desqualificar o ocorrido. E se alguém por aí ainda acha que há seriedade no "estadão", tente achar por lá alguma "carta" criticando José Agripino
Carlos N Mendes , Santos -SP - industriário
Enviado em 25/5/2008 às 1:20:29 AM
Alexandre Carlos Aguiar, bem colocado. Deixemos os ratos falarem para sabermos onde estão. Rato calado, mesmo sob o sol da democracia, é perigoso.
thomaz magalhaes , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 24/5/2008 às 9:19:18 PM
Interessante a abordagem do Guimarães respondendo ao Renato aí abaixo: "No fim, esses conceitos têm, para essa gente, uma "flexibilidade" impressionante." Não vejo como piada o texto enviado pelo leitor ao Estadão. Acho-o pertinente. Até porque é mentira que a ministra Dilma Vânia foi torturada por lutar contra a ditadura militar brasileira. Foi torturada - e isso não se justifica por quelquer ato de quem quer que seja - porque lutava pela revolução comunista no Brasil. Sem tirar nem pôr. A graça, se há, é que a ministra não fala a verdade. Nem a do motivo da tortura, nem sobre ter mandado fazer o dossiê Dilma Vânia. A graça é, para quem não é de esquerda, sobre não falar a verdade. A esquerda acha isso normal. Nisso há comprometimento ético. Não em criticar ou ironizar a ministra por não contar as verdades.
Clovis Eduardo , São Pedro da Aldeia-RJ - Estudante de Comunicação Social
Enviado em 24/5/2008 às 5:19:28 PM
Essa piadinha de mau gosto em nada em espanta. Até hoje tem muita gente que pula cambalhota pra afirmar que Lula cortou o dedo p não trabalhar mais. Teve uma Época em que a TV Globo fazia altas chacotas sobre os hábitos do Presidente Lula, tais como sua preferências por Bebidas, sua escolaridade e seu sotaque. Na briga pelo DINDIN, alguns Jornais fazem de tudo - Barba, Cabelo e Bigode. www.adf.com
Orlando Macedo , Campinas-SP - Engenheiro
Enviado em 23/5/2008 às 10:01:52 PM
Prezado Dines, Acho que você entendeu literalmente qual é a diferença entre liberdade de expressão e liberdade de mercado. Quando o editor escohe publicar uma "piada" imbecil e manda o estagiário, que nunca ouviu falar em Vladimir Herzog, responder a sua carta ele já fez a sua opção pelo tipo de liberdade que privilegia. Falar em direitos humanos pra quem tem o olho apenas voltado para a liberalismo de mercado é falar pra quem tem ouvido de mercador. Bem vindo ao mundo cão ! Orlando
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 23/5/2008 às 1:22:37 PM
Renato, esse conceito de liberdade de expressão é interessante. Quem defende a tortura de quem julgava criminoso por querer implantar um regime comunista no Brasil - era esse o argumento, apesar de ser usado para esmagar quem apenas era simpatizante do comunismo -, defende uma ilegalidade. Ora, então vamos apelar para a liberdade de expressão para defender a invasão de latifúndios pelo MST. É opinião, certo? É ilegal invadir terras? Também é ilegal torturar. O jornal publicaria uma ridicularização de um pobre latifundiário que teve terras invadidas pelo MST? "Ah, não, aí é crime...". No fim, esses conceitos têm, para essa gente, uma "flexibilidade" impressionante. O melhor a fazer é esperar. O tempo está se encarregando de livrar o Brasil desse tipo de mentalidade. Veja que eles já foram maioria. Hoje, são cada vez menos. Conforme a cultura e o desenvolvimento forem se democratizando, essa mentalidade será extinta. É um processo irreversível.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 23/5/2008 às 12:06:57 PM
Ler: habitação inadequada. Obrigado...
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 23/5/2008 às 11:42:32 AM
Caro Cardoso, tortura não é somente dar pancadas ou choques em alguém suspeito de ter cometido, segundo o conceito burguês, algo que possa colocar em risco o sistema capitalista. Milhões de trabalhadores e suas famílias aqui neste quintal são torturados todos os dias, tortura que é realizada através da fome, desemprego, salários aviltantes, falta de educação/cultura, habitação adequada entre outros lances difíceis de pequeno porte. Essa mesma gente que foi torturada num passado recente são os torturadores de hoje! Ou não? Quem é torturado hoje, ira torturar amanhã?
Guilherme  Cardoso , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 23/5/2008 às 9:48:45 AM
Quem critica e brinca com a tortura, certamente nunca passou por isso e não viveu e não foi atuante politicamente no longo e triste período da ditadura militar brasileira. Essas pessoas, jornalistas e leitores, ou são muito jovens, não vivera a época ou viveram aquele tempo alienados ao que se passava nos "fronts" das lutas das classes oprimidas. Infelizmente, o povo brasileiro tem memória curta, não sabe cultuar seus heróis, esquece rápido seus feitos.
antonio carvalho , fortaleza-CE - advogado
Enviado em 23/5/2008 às 7:55:33 AM
A carta publicada foi certamente de extremo mau gosto. No entanto o diabo da democracia é assim mesmo, temos que ler e ouvir coisas que não gostamos e não concordamos. Não sendo assim vamos censurar e justificar tudo aquilo que nos dizemos contra. Ou vamos parodiar o grande Millor dizendo que democracia é quando expomos nossas idéias e ditadira é quando os outros expõem idéias com as quais não concordamos ?
LUIZ EDUARDO NASCIMENTO , Maricá-RJ - consultor de empresas
Enviado em 23/5/2008 às 2:13:39 AM
Caro Renato, eu considero que ajudei a derrubar a censura, inclusive carrego até hoje algumas marcas no meu corpo da intolerancia a crítica e a discordancia e fico estarrecido com o significado que a banda podre da imprensa hoje tentar dar a frase "liberdade de expressão". Eles se acham os vestais intocáveis e imunes a críticas pois como um mantra a cada vez que recebem justas críticas por posicionamentos partidários e reacionários gritantes, vem com a escaramuça de que estão tentando impedir o trabalho da imprensa fazê-la calar. Até quando vão usar um avanço da democracia pelo qual eles não ajudaram a conseguir para encobrir um comportamento anti-ético e as vezes até criminoso? ninguem quer calar ninguem, apenas criticar o que não achar justo, pois faz parte da democracia, e se possível que as pessoas possam abrir os olhos para entender em quem podem e quem não podem confiar
Marcio de Paiva Delgado , Juiz de Fora-MG - Professor
Enviado em 23/5/2008 às 12:03:58 AM
Liberdade de expressão sendo usada pra defender, sob a máscara de uma piada inocente, uma Ditadura. Só o Estadão mesmo... Tradição é isso aí.
Antônio Augusto , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 22/5/2008 às 11:28:49 PM
Um artigo que pôs os pingos nos is. Tortura é crime de lesa-humanidade. Liberdade de imprensa passa longe da "grande" imprensa.
Cid Elias , fortaleza-CE - hoteleiro
Enviado em 22/5/2008 às 8:47:16 PM
Será que o jornalista não enodoado david da silva poderia nos trazer algumas comprovações das "muitas MENTIRAS da mãe do Pac"? Se não trouxer, estará claro quem, de fato, é adepto da mentira, né mesmo? Somente praticantes do jornalismo-tapioca ainda têm descaramento para vir ano OI chamar a Ministra Dilma de "dona dilma dossiê", após vir à tona as evidências de mais um crime tucano. Como meu QI é baixo, caso ele retorne ao OI para sustentar o que disse, gostaria muito de saber o sentido da frase "um sorriso no rosto e uma arma na mão". Seria um lema, uma crítica, uma senha, uma charada, uma ameaça, um desejo ou uma simples estultice?
Clever Mendes de Oliveira , Belo Horizonte-MG - Funcionário Público
Enviado em 22/5/2008 às 7:21:43 PM
Rento Rovai, Concordo com você, mas acho que o jornal está preso a cultura dele. A liberdade de opinião do jornal não vai ao ponto de transcrever histórias de sexo e pornografia ou utilizar palavras de baixo calão. Essas coisas indecentes não saem em jornal de gente fina. Um dia também não sairão piadas grotescas sobre tortura, racismo, holocaustos e semelhantes. Até lá, entretanto, terá que haver uma grande evolução, Há ainda muita gente fina no mundo a ser atendida nas suas demandas e o jornal, como toda empresa que se preze, não pode deixar de atendê-las, pois correria o risco de fechar as suas portas. Clever Mendes de Oliveira BH, 22/05/2008
Fabiano Mendes , Belo Horizonte-MG - Rep Comercial
Enviado em 22/5/2008 às 6:17:48 PM
Liberdade de expressão. Esse [ ] enche o peito quando usa essa frase esquecendo que graças a pessoas como a Ministra Dilma podem até abusar do direito de fazer chacota com assuntos sérios. Falando nisso, onde estavam certos personagens desse folhetim na época em que generais davam plantão na cadeira do cargo mais alto da Nação? Ensinando aos mesmos como descobrir os artifícios que os Jornalistas com J maiúsculo, usavam para chegar aos seus leitores as informações corretas. [ ] 
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 22/5/2008 às 5:05:58 PM
A ministra Dilma esta de parabéns, pois foi torturada pelo duble de senador José Agripino Maia e agüentou calada. Como pode um sen-aspone usar essa agressão e não ser punido pelos seus iguais não só no cargo, como também nas atitudes.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 22/5/2008 às 3:25:47 PM
Se o assunto fosse alguma brincadeira, eu diria: Bem feito, quem mandou ler o Estadão? Mas, não é brincadeira. Por isso, como você, Renato Rovai, declaro o meu repúdio à mente manifesta dos editores do jornal ESP. Quanto ao seu artigo, estará arquivado no meu HD, no rol daqueles classificados como "muito importantes". Parabéns.
David da Silva , Taboão da Serra-SP - Jornalista
Enviado em 22/5/2008 às 3:19:55 PM
Renato, é meio cacête querer levantar questões éticas, por causa de uma tirada de sarro de leitor em cima de uma das muitas mentiras da "mãe do pac", a enodoada dona dilma dossiê. Quanto ao impedimento legal contra piadas com o holocausto, não se engane: conhecemos muito bem o bom-humor judeu, que aprendeu há séculos rir-se da própria agonia. O judeu das ruas faz e continuará fazendo piadas sobre suas mazelas. Tirar um baratinho dos problemas humanos não significa não lutar para debelá-los. Abaixo a casmurrice! Um sorriso no rosto e uma arma na mão.
beroaldo borges , são paulo-SP - cozinheiro
Enviado em 22/5/2008 às 1:54:32 PM
"Caro senhor, claro que a prática de tortura é crime hediondo, ninguém pode discordar. E mordaça o que seria? Liberdade de expressão, sempre. E viva a democracia! Gratos pela atenção, Fórum dos Leitores". A resposta é bem simples. Basta deixar este senhor 1 dia amordaçado e meia hora no [ ]. Ele nunca mais vai esquecer a diferença. Cada uma que esses meninos do estadão escrevem. :-)
Valmir  Gôngora , Brasília-DF - bancário
Enviado em 22/5/2008 às 12:18:29 PM
Provavelmente, o Observatório errou na transcrição da frase: o representante do Estadão deve ter escrito "Liberdade da minha Expressão, Sempre!" e "Viva a Democracia e louvado o momento em que seja necessário apoiar golpes".
cid elias , fortaleza-CE - hoteleiro
Enviado em 22/5/2008 às 3:15:45 AM
Grande Renato! Teu relato nos leva a questionar uma série de inverdades propagadas aos quatro ventos em jornalões-tablóides e revistecas marrons. A mais repugnante das inverdades ocorre quando os imprensaleiros, capos e mandados, se arvoram em defesa duma tal "liberdade de imprensa", DESDE QUE À DELES, é claro! Foi o que fez o rapaz do estadão ão ão, quando da resposta enviada. A hipocrisia é tanta, que o maior requisito para as cartas serem publicadas é a concordância com a linha editorial-partidária do veículo, ou seja, com a "liberdade deles", a exemplo da carta em questão enviada pelo Herr Miler. Nestes últimos três anos, a maioria das vezes que tive o desprazer de ler uma "seção de cartas" de estadão ão ão, de falha, ogrobo, jbos, vejaQmentira e pares, pude ter certeza que para estes veículos castanhos, "liberdade de imprensa" = dizer Amém às desinformações por eles veiculadas, e, logicamente, descer a ripa no Governo Federal. Como os capos não são tão burros assim, aqui e acolá liberam uma carta discordante na tentativa de parecer democráticos. Há casos como a vejaQmentira, que a proporção das cartas de leitores - amém/discordantes, é 100 x 1, e olhe lá... Parabéns Rovai!
ANTÓNIO CARLOS  RODRIGUES , Taubaté, berço de Monteiro Lobato-SP - Servidor Militar/Res
Enviado em 22/5/2008 às 1:56:23 AM
Eu já acho que realmente não devemos, nem podemos, defender qualquer tipo de censura à Imprensa, pois quando um veículo de comunicação PUBLICA O QUE QUER e O QUE DEVE SER PUBLICADO, ele se constitui numa arma à serviço da sociedade e dos cidadãos, INCLUSIVE desvendando a índole de seus profissionais e deixando claro seus objetivos, para sujeitar-se às correspondentes manifestações da opinião pública.
Sérgio Troncoso , Santos-SP - Industriário
Enviado em 21/5/2008 às 10:03:39 PM
Há tambem um outro tópico ou viés cultural para êsse fato.Essas manifestações [ ],são a apropriação do combate ao politicamente correto por mentes de carácter autoritário e fascista.Pessoas que com a desculpa de combater os exageros eufemísticos do politicamente correto(que são reais),aproveitam para cuspir ódios,injúrias e justificar má educação aonde andam ou escrevem.
Cristian Korny , São José dos Campos-SP - músico
Enviado em 21/5/2008 às 4:14:05 PM
tá na moda publicar palavras hediondas e depois dizer que é liberdade de expressão, postura insignificante do estado. não sei o que foi pior a piada ou a aprovação jocosa dela.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 21/5/2008 às 2:14:15 PM
Concordo plenamente com a manifestação do jornalista. E assino embaixo. Lutei contra o regime para que se pudesse, hoje, no país, ter debates. Para que se pudesse dizer algo em contrário do que outros pensam. É assim que deve ser a democracia. Por causa dessa luta que muitos travaram, coisas como Veja, Rede Globo, FSP, Estadão e quitetes mais estão aí a deseducar a população sobre ética e bons comportamentos. Mas é assim a democracia. É assim que povos civilizados devem ser, com a coexistência e com aprendizadao contínuo. Engana-se, por isso, quem pensa que aquilo foi um acontecimento negro em nossa história e que, findada a ditadura, estamos numa democracia. Os ratos daquele regime estão por aí a cavoucar as estruturas da República, ávidos por mais um golpe, receosos que o povo opine, temerosos em perder suas benesses. Ontem mesmo (20/5), um dos arautos da ditadura, que deseja derrubar o governo a qualquer custo, derrubou um avião por engano e deu uma barriga em rede mundial.
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Renato Rovai

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