ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 24/11/2009
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JORNALÕES & JORNALISMO
Como se fabrica um mito

Por Alberto Dines em 3/11/2009

No "Mais!" da Folha de S. Paulo de domingo (1/11) duas fotos ilustravam a violência das duas maiores cidades brasileiras (pág. 5). O tema do caderno era o submundo do crime organizado e o editor escolheu uma foto sobre a violência no Rio e outra sobre São Paulo.

A foto tomada no Rio (em 23/10/2009) reproduzia uma cena que poderia ter sido copiada de um filme de ação da HBO: três policiais com armas automáticas correndo e atirando numa rua típica de subúrbio carioca. Já a foto de São Paulo foi tomada depois do estado de sítio imposto pelo PCC à maior cidade brasileira (em 7/8/2006): os escombros de um ônibus ainda fumegante e, em primeiro plano, um vira-latas sentadinho.

No Rio, o flagrante da guerra urbana; em Sampa, a poesia da destruição. Foi artístico o critério que norteou a escolha das fotos, o editor buscava o contraste. Acabou por reproduzir um estereótipo que comanda os impulsos dos porteiros das redações brasileiras.

Sobras e "calhaus"

Não há a menor dúvida de que o Rio converteu-se numa praça de guerra. Porém, São Paulo não fica atrás. Enquanto a guerra paulistana se trava na periferia, no Rio esta periferia está encravada no coração da cidade. O dirigente do Afro-Reggae Evandro da Silva foi assassinado no centro da cidade, não muito longe de um dos novos points da boemia carioca.

Seria impossível e deletério tentar montar um quadro comparativo sobre a violência nas duas maiores cidades brasileiras. Além da natureza e organização social diferenciadas, cada uma tem o seu "modelo de negócios" para o crime organizado. Por mais objetivos e afinados que fossem os paradigmas para uma eventual comparação, as estatísticas seriam incapazes de produzir algum tipo de cotejo.

A imagem de violência de cada uma das nossas metrópoles é fabricada por dados objetivos e subjetivos, todos no âmbito da mídia. A Rede Globo está sediada no Rio, seus telejornais obedecem a padrões de qualidade jornalística e, como acontece há pelo menos três décadas, pautam os meios de comunicação de todo o país. Não poderia ser diferente: o Jornal Nacional tem a obrigação de investir pesadamente na cobertura do que acontece na cidade onde é produzido e emitido.

Na mídia impressa, ocorre o contrário: todos os quatro semanários de informação são produzidos em São Paulo e, dos três jornalões de referência nacional, dois estão fincados na Paulicéia. E não apenas em seus nomes: o Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo nasceram e cresceram como jornais vinculados aos interesses regionais no âmbito da política e da economia. Suas coberturas locais e de polícia sempre foram menosprezadas e secundarizadas (a despeito da excelência dos seus profissionais). A burguesia paulista sempre andou de nariz empinado e de olho no próprio umbigo. Como conseqüência, o forte do jornalismo paulista nunca foi o jornalismo de cidade, geralmente transferido às rádios, tradicionalmente competentes e ágeis.

A prova está nos cadernos ditos "locais" – os mais mirrados, os mais descaracterizados e aviltados, onde cabe tudo: a vida da cidade, os desastres (inclusive ocorridos em outras regiões), o noticiário leve (que os marqueteiros acham indispensável para atrair o público jovem e feminino), a meteorologia, as crônicas, os "calhaus" (anúncios da própria empresa) e as sobras dos anúncios classificados. Tudo isso em 8 ou, no máximo, 12 páginas (sendo que a capa é geralmente ocupada por um grande anúncio colorido).

Operação audaciosa

Na Folha o caderno local é obrigado a absorver a página de "Saúde" e uma coisa chamada "Folha Corrida", espécie de pseudo-capa com grandes fotos sobre mundanidades e chamadas que sobraram da verdadeira capa sem "agregar valor" (como diriam os burocratas ou jornalistas de economia): não acrescentam informações, não oferecem contextos e espremem ainda mais a cobertura urbana.

O caderno local do Estadão é bizarro: sofre de esquizofrenia e tem um alter ego. Na edição que circula na cidade onde é impresso chama-se "Metrópole", nas demais regiões chama-se "Cidades". O conteúdo, porém, é exatamente o mesmo e nesta ambigüidade está a prova do descaso da empresa pela cobertura local. Confunde o local do Rio com o local de São Paulo e acaba liquidando a razão de ser do jornalismo: dar ao leitor uma noção correta do que se passa à sua volta.

E onde é noticiada a violência paulistana? Ela existe, está crescendo: no sábado (31/10, pág. C-1), com destaque na primeira página, a Folha anunciou que o crime cresce no estado pelo terceiro trimestre consecutivo. Da quinta-feira (29/10) até o domingo, os dois cadernos "locais" paulistanos deixaram de se concentrar na violência carioca obrigados a noticiar uma blitz da Policia Civil que prendeu 2.191 pessoas, a queda de um avião da FAB na Amazônia e o salvamento de 9 dos 11 passageiros – e porque nesses dias veio à luz a informação sobre o quase-linchamento de uma estudante de turismo que apareceu na faculdade com uma audaciosa minissaia.

O crime organizado paulistano, isto é, o PCC, só deu o ar de sua graça uma única vez (na Folha, quinta-feira, 29). Neste intervalo não houve chacinas, não houve confrontos entre gangues, não houve assassinatos nem arrastões em condomínios.

O crime organizado paulistano não tem vez na mídia paulistana. No assalto ao carro-forte em Amparo (SP) também foi usada uma metralhadora pesada e, como operação, foi muito mais audaciosa porque minuciosamente planejada, ao contrário do ataque ao helicóptero da PM no Morro dos Macacos, obra do acaso e/ou fatalidade (ver, neste Observatório, "Os senhores da guerra e do crime"). Mereceu uma cobertura insignificante. O helicóptero abatido no Rio, no entanto, continua ocupando parte do espaço "local" dos competidores paulistanos.

***

O Globo é o único jornalão de referência nacional editado no Rio, também o único que tem nas veias o DNA de vespertino. Esta ascendência e pedigree dão ao jornal uma energia que não se encontra nos jornalões paulistanos. Tem inúmeros defeitos de organização e apresentação, mas a sua trepidação traz consigo o empenho em enxergar o confronto com o narcoterrorismo como uma questão além-Rio, de segurança nacional.

Comentários (17)
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Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 9/11/2009 às 11:00:29 AM
Angelo Rizzo, os EUA, com toda a deficiência do sistema capitalista que sabemos existir e é desnecessário repetir, tem um dos melhores sistemas educacional e de saúde do planeta. Ainda que tenham tido na última temporada uma crise cavalar, continuam sendo um potência econômica a bilhões de anos luz de todos os outros habitantes do planeta juntos. E os problemas com segurança pública são semelhantes aos nossos. Ocorre que lá quem manda é o governo, assim como na Inglaterra, na Alemanha, no Japão, onde o crime organizado tem limites, embora seja forte e cruel. O Estado tem que se fazer presente, sim. E dominar as ações antes do crime. A terra sem lei é sinal de governo fraco. E onde há governo fraco, o crime manda e toma conta. Não é um problema do Lula, mas dos governos brasileiros. De todos!
Angelo  Frizzo , Bento Gonçalves-RS - desempregado
Enviado em 8/11/2009 às 12:13:37 PM
O que está claro é que a imprensa está destacando a criminalidade do Rio só para criticar o governo Lula . Principalmente pela conquista de dois mega-eventos lá. Todo mundo que é razoavelmente informado sabe, que SP tem tres vezes mais assassinatos diáriamente que o RIO. E, por favor, criminalidade não se acaba com força bruta, se reduz com melhoria de condições sociais. Vejam quantos crimes d qualquer tipo acontecem na Suécia, Dinamarca, Holanda, etc.. Em dez anos não acontece o que acontece em um dia no Brasil. Mesmo proporcionalmente a população.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica.
Enviado em 5/11/2009 às 6:44:46 PM
Tem algum artigo no Oi comentando a cobertura sobre a desobediência do Senado à decisão de cassação do Senador Expedito do PSDB??
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/11/2009 às 10:55:57 AM
Fábio, me perdõe, mas não estamos falando de ladrão de galinhas, não se está vendo larápios de esquina pulando o muro da vizinha para surrupiar umas frutinhas do pomar. Existe, sim, uma estrutura muito bem montada nesse negócio todo. O crime organizado controla, sim, muitas coisas do Estado. O crime determina quem sai às ruas e quem não sai, o crime fecha o comércio e as escolas e incentiva estas ou aquelas ações. Eu presenciei isso, no colégio em que lecionava. O traficante da área mandou fechar a escola por uma tarde. Fomso à Secretaria de Segurança e recebemos a informação de que nada era possível ser feito. Isso é ou não é ação de Estado? Isso é ou não é ação de guerra? A questão de "tomar o poder", para se configurar como uma estrutura oficialmente de Estado, é só um processo de organização, nada mais que isso. O crime organizado pretende se manter, de acordo com seus códigos, subvertendo a lei "oficial", ou o paradigma da lei oficial, e implantar a sua. Entendeu?
Luciano Martins Costa , Sao Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 4/11/2009 às 5:32:59 PM
Caro, o que cresceu em São Paulo não foi o número de crimes, como noticiam os jornais. Cresceu o número de registros, e está em andamento um trabalho de regularização de estatísticas, que deve ser concluido antes de começar a campanha eleitoral. Esse é um dos setores que estava sob comando do antigo secretário-adjunto da Segurança Pública, que foi afastado após denúncia de que cobrava de delegados e investigadores para locá-los em setores "lucrativos" e aceitava até R$ 100 mil por cabeça para sumir com processos na Corregedoria. Essas informações não estão nos jornais, exceto o caso do secretário-adjunto, que ameaçou virar escândalo e depois desapareceu do noticiário. Aumentou nom último trimestre o número de assaltos nos Jardins, área até então protegida pela polícia. Motoristas do aeroporto de Guarulhos que pegam passageiros à noite pedem para deixá-los perto dos grandes hotéis, por medo de assalto, ou sugerem que o cliente telefone alguns minutos antes para alguém esperar na entrada do prédio onde vai desembarcar. Surgiu o arrastão de motoqueiros na região. Empresas de segurança que não aceitam o "suporte" privado de policiais corruptos vivem constantemente ameaçadas. Uma delas, empresa multinacional, foi vítima de 70% dos assaltos a prédios de luxo nos Jardins, no primeiro semestre. Os jornais não sabem disso? Você tem razão. Sabem e omitem.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 4/11/2009 às 3:32:41 PM
A violência em São Paulo é tão ou mais grave do que a violência no Rio. Acontece que os responsáveis diretos pelo fracasso no combate à violência paulista (O PSDB ESTÁ NO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO HÁ QUINZE ANOS!), ao contrário dos cariocas bairristas do tipo Alberto Dines não podem empurrar a responsabilidade para o Governo Federal, já que o PSDB era governo em SP e concomitantemente governo federal no tempo do FHC, e a despeito disso nada fizeram para melhorar esse estado de coisas. Ao contrário, deixaram prosperar a organização criminosa que detém o monopólio da criminalidade paulista. Logo, não sei pra que tanta complicação para concluir o óbvio ululante: o PIG não tem o menor interesse em divulgar os fracassos do governador paulista, futuro candidato à presidência da república.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 4/11/2009 às 3:18:19 PM
Caro Alexandre Há uma diferença qualitativa entre CRIMINALIDADE e GUERRA CIVIL. O objetivo do criminoso é apenas ganhar a vida desonestamente, não é suprimir totalmente o poder de uma facção política oponente . O criminoso não quer controlar o Estado, quer apenas não ser pego pelo Estado. Quem confunde GUERRA com CRIMINALIDADE mete os pés pelas mãos. O criminoso é um fora da Lei, mas deve ser tratado dentro da Lei porque o Estado sempre deve agir dentro da legalidade. O respeito a legalidade é o principal princípio constitucional. Portanto, nada justifica a tortura de presidiários, nem as maldades que os criminosos eventualmente tenham cometido. Servidor público que tortura prisioneiro É CRIMINOSO PORQUE A LEI DEFINE A TORTURA COMO CRIME. Entendeu?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 4/11/2009 às 11:50:44 AM
Me perdõe, Fabio, mas você está querendo tapar o sol com um funil, ou seja, apenas observa por um buraquinho. Por favor, mas as ilegalidades, neste caso, são cometidas por ambas as partes, policiais e traficantes. Temos, declaradamente, um Estado paralelo no chamado MUNDO DAS DROGAS. E, engana-se quem pensa que os traficantes combatem a polícia. Há, incisivamente, uma tentativa de administrar as coisas do Estado ao modo do crime organizado. O tráfico e as milícias ocupam o nicho do Estado. A polícia apenas entra de contrapartida. Estamos, sim, numa guerra civil, por ocupação de atividades e de responsabilidades.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 4/11/2009 às 10:59:04 AM
Tu quoque Brutus? "Não há a menor dúvida de que o Rio converteu-se numa praça de guerra. Porém, São Paulo não fica atrás." Cada vez que vejo um jornalista usar o vocábulo GUERRA para descrever o combate a criminalidade fico arrepiado. Nada pode ser mais inapropriado do que insinuar que estamos numa GUERRA CIVIL. Afinal, na guerra não existem ilegalidades. como é que os jornalistas poderão criticar a tortura e os abusos policiais se eles mesmos admitem inadvertidamente que estamos em GUERRA?
Jasmim Teixeira , Taguatinga-DF - Estudante
Enviado em 3/11/2009 às 9:45:27 PM
Talvez pelo fato de não viver em nenhuma das nossas duas grandes "metrópoles",os acontecimentos que se passam nelas são sabidos por mim apenas através do nosso meio de comunicação mais "abrangente e eficiente":JN.Portanto,não me permito comentar sobre a veracidade ou não do foco do artigo acima.Quero apenas questionar um pequeno comentário do autor do mesmo:a questão das notícias leves serem pertinentes e direcionadas apenas para jovens e mulheres...Talvez o século XXI não tenha arraigado sua realidade na cabeça de Alberto Dines;para que ele faça um comentário tão descabido e não-condizente com nossa realidade.Jovens e mulheres se interessam pelos assuntos de relevância para a sociedade tanto quanto homens(pós-modernos) se interessam pelas "futilidades do caderno de "notícias leves".Uma prova real disso,é que eu mesma,em plenos 16 anos,deixo de ler um desses cadernos para rebater essa pequena falha nun grande artigo.
Luiz Fernando Mendes de Santana , Rio de Janeiro-RJ - Eng. Mecânico
Enviado em 3/11/2009 às 9:06:22 PM
O décimo parágrafo deste texto mostra que Dines pelo menos uma vez concorda com Lula. Falando sobgre o Caderno local do Estadão ele diz: "Confunde o local do Rio com o local de São Paulo e acaba liquidando a razão de ser do jornalismo: dar ao leitor uma noção correta do que se passa à sua volta." Exatamente o que Lula disse na entrevista à Folha. Os jornalões esqueceram a sua função principal que é informar bem e passaram a comportar-se como partidos políticos, sonegando boas informações de governos que não lhes interessam, ampliando informações que acham que podem trazer dividendo político aos seus pares, tirando o princípio da isenção como meta a ser seguida. Esta é a realidade da imprensa brasileira.
Felipe macedo , sao paulo-SP - publicitario
Enviado em 3/11/2009 às 8:49:30 PM
infelizmente, a midia de sao paulo protege o governador josé serra. para nos paulistanos, o PCC nao existe mais. Nunca mais se ouviu falar. Nunca vimos uma entrevista séria com Jose Serra falando sobre os problemas da cidade. ninguem faz nanhuma pergunta desconfortavel a ele. Dizem que jornalistas tem perder os empregos. Como ja aconteceu antes. É muito ruim para a cidade. Pois a população nao tem informação para cobrar seus direitos.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 3/11/2009 às 4:26:29 PM
O Max Suel está querendo levantar aquela velha tolice entre árabers e judeus: "os meus mortos aqui são melhores mortos que os mortos de lá." O preconceito chegou ao cemitério.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica.
Enviado em 3/11/2009 às 3:22:17 PM
Na minha opinião, o que diferencia a cobertura dO Globo para a FSP e o OESP está no exigência do seu leitor, quero dizer, como no Rio, por uma questão geográfica, as elites e a classe média são muito afetadas pela criminalidade nas favelas (obviamente não estou negando que o mando do crime esteja na Zona Sul e nas próprias elites) as notícias sobre o crime têm que ser mais bem mastigadas, ao contrário de São Paulo, onde a violência ainda se concentra com mais força nas periferias, apesar do atual avanço sobre os condomínios das classes A e B. Aliás, é justamente por conta desse avanço, como se pode observar nos comentários do Dines e de alguns leitores que a questão da péssima cobertura sobre a violência em SP começa a preocupar os observadores da mídia. Infelizmente é preciso que os graúdos se sintam prejudicados e acuados para que a mídia comece a tratar de um assunto de tamanha gravidade.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 3/11/2009 às 2:19:53 PM
Dante, o Inferno não fica em São Paulo. Pela última pesquisa, a capital paulista está entre as de menor índice de assassinatos, ficando atrás inclusive de Curitiba (que sempre foi nosso orgulho, de cidade modelo). A diminuição nos indices de criminalidade em SP tem a ver com a maior quantidade de prisões efetuadas. Criminoso preso, condenado e cumprindo pena significa que o poder público está mais atuante. São Paulo tem construído muitos presídios e Centros de Detenção Provisória (os Cadeiões). O governo federal que tinha prometido construir 5 presídios, desde janeiro 2003 construiu apenas UM.
Jorge  Sá de Miranda Netto , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 3/11/2009 às 1:37:44 PM
E cada vez há mais "inovações e invenções" nas editorias metrópole, cidades e cotidiano (bons e velhos tempos das saudosas editorias locais e gerais, de seus repórteres, chefes de reportagem, pauteiros e editores). Agora, inova-se, omitindo endereços. Por exemplo, no Metrópole do Estadão de hoje (3), na matéria "Vilinha se rebela contra arranha-céu" não consta o nome da rua em que fica a vilinha. Em compensação, informa que um dos rebelados moradores vive "em um sobrado simples e aconchegante em Pinheiros, na zona oeste da capital, alvo de fetiche dos amigos. A casa, com jardim, quintal e janelas amplas integra uma vilinha pacata, localizada em uma rua estreita, isolada das avenidas movimentadas que cercam o bairro", patati-patatá, quás-quás-quás e o escambau. E sobre o incêndio na favela Paraisóplis há apenas mais um resgistro - claro, a culpa não é da repórter que fez a matéria. Para os "gênios" do Metrópole, não resta a menor dúvida de que entre a vilinha pacata e Paraisópolis, a vilinha merece mais espaço (nada contra a referida), afinal incêndios e outras desgraças em Paraisólis são fatos rotineiros (tudo contra os meros registros). Mas há ainda algo para ler, como no Estadão de ontem (2), na coluna de Sonia Racy, uma entrevista com Emanoel Araujo: "Este é um país desesperador", de Gabriel Manzano Filho, repórter dos bons e velhos tempos.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 3/11/2009 às 12:19:31 PM
O PIG, uma forma sintética de classificar ,no que se transformou a mídia nacional,age hoje, com premeditada orquestração. São Paulo é de há muito, a capital de insuperável violência e arbítrio policial,contudo sempre protegida pela censura de seus editores. O "Salve Geral", de 2006, como era impossível ignorá-lo dada suas dimensões "colombianas",procurou-se transferir para débito da campanha presidencial de Lula.Os contínuos arrastões em prédios e condominios de casas,a indústria dos sequestros,a corrupção de suas polícia, o enfrentamento civil nas favelas , a indiferença de sua quatrocentã elite,para quem segurança era assunto de serviçais e para tanto bastava uma polícia rigorosa e uma justiça aliada,mostraram , como uma imprensa conivente e mercenária ,consegue ocultar os índices de crescimento de violência em quase 200% .
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