ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 24/11/2009
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JORNALISMO DIGITAL
Ctrl C, Ctrl V: notícia que é bom, nada

Por L.A.M. e L.E. em 7/11/2009

Uma quadrilha armada interceptou e roubou dois carros-fortes na rodovia Anhanguera, entre Araras e Campinas, às 18h30 de quinta-feira (5/11), a 169 km da capital paulista. Um empresário morreu em consequência de uma bala perdida e mais três pessoas ficaram feridas.

Araras e Campinas ficam no interior estado de São Paulo, não são nomes de morros do Rio de Janeiro. A notícia, gravíssima, não mereceu a atenção dos maiores portais da internet brasileira. Na home page desses sites, que equivale à capa de um jornal, nem sinal do crime até pelo menos o início da tarde de sexta-feira (6), dezoito horas depois. Apenas o G1, portal das Organizações Globo, deu matéria. A notícia havia sido veiculada de manhã cedo, no Bom Dia São Paulo, da Globo, e foi replicada à noite no Jornal Nacional.

Não se trata de um crime menor. Ao contrário, a quadrilha, segundo informações da polícia, é altamente especializada e deve ser a mesma que atacou, no último dia 13, um carro-forte da mesma transportadora em outra rodovia perto de Campinas. A quantia roubada na última ação foi calculada em R$ 6 milhões, mas não ocorreu a nenhum editor comparar a féria arrecadada com a rentabilidade do tráfico carioca.

O pior, no entanto, nem é a "barriga" dos portais, porque jornalões seguem a mesma lógica: há uma blindagem da imprensa sobre a criminalidade em São Paulo, ao passo que o Rio é o eterno saco de pancada da mídia, boa parte dela hoje concentrada em terras bandeirantes. Violência no Rio é notícia, em São Paulo, nota de rodapé. Não sai em portal algum na internet. Algum pesquisador precisa descobrir as razões de tamanha desproporção entre as duas coberturas. Apenas quando o PCC faz e acontece, a guerra urbana no estado de São Paulo aparece na mídia. Abaixo, a prova dos fatos: iG, Terra e UOL simplesmente ignoraram um fato que estava sendo noticiado exaustivamente pela rádio CBN e por telejornais da Rede Globo. Talvez a turma tenha demitido o rádio-escuta. Ou então resolveram simplesmente deixar para as autoridades paulistas um "choque de gestão" para resolver os problemas. A cidadania está aguardando, bairrismo não combina com jornalismo.

A propósito, os jornalões Folha de S.Paulo e Estado de S. Paulo acordaram para o fato nas edições de sábado (7/1). Como o assalto se deu às 18h30 de quinta-feira, e apesar de sua violência, não houve tempo de apurar nada que prestasse para as edições de sexta. Saíram então no sabadão e trouxeram para a primeira página a foto do carro-forte arrebentado por explosivos. Ambos os diários noticiando algo ocorrido "anteontem", o que denota uma agilidade paquidérmica do jornal em papel. Mas os jornais em bits também não ficaram atrás. Em suma: estamos feitos. (Luiz Antonio Magalhães e Luiz Egypto)

***

No iG e Último Segundo a violência é só no Rio.

UOL também ignorou solenemente o assunto.

No Terra, destaque para a capivara.

Apenas o G1, das Organizações Globo, deu a notícia que a rádio do grupo veiculou com destaque. Alguma sinergia é sempre possível.

Comentários (2)
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Sidnei Brito , São Paulo-SP - Servidor Público
Enviado em 8/11/2009 às 4:53:36 PM
O pior de tudo é ouvir gente aqui em São Paulo falando da "epidemia" no uso de crack. Dá a entender que é coisa nova, que nunca se viu isso antes. Ora, o tal do crack faz parte da paisagem paulistana, que me lembre, há mais de quinze anos, e só agora vejo isso ser assunto, como se fosse uma grande novidade. E o pior: quando falam do uso do crack, não estão se referindo aos usuários do lado de fora do vidro do carrão que inadvertidamente teve que passar pelas ruas malcheirosas do centro; falam do uso do crack no Rio ou em outros estados. Será que só existe o que está na mídia?
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 7/11/2009 às 1:01:44 PM
São Paulo é de longe o estado mais violento da federação e a sua capital supera estatisticamente o Rio de Janeiro. Diferença , é o tratamento da a mídia local, patrocinada pela sua forte elite econômica. O patrono dos crimes patrimoniais,goza de liberdade, ´tem popularidade para ser eleito para qualquer cargo eletivo, e tem fortuna assegurada em bancos no exterior. Portanto,quando ocorreu o "Salve Geral",de 2006,obra do "partido"PCC,aquela inédita açaõ pelassuas dimensões ,táticas e propósitos, foi minimizada transferindo a responsabilidade à campanha de Lula,que tentava à reeleição. Controlar as "quatro famílias" e seu oligopólio e depois falar em praticar o autêntico jornalismo.
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