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ELIO GASPARI / AS ILUSÕES ARMADAS
Daniel Piza

"Gaspari desarma as ilusões do regime militar", copyright O Estado de S. Paulo, 24/11/02

"Talvez pela proximidade histórica, talvez pelas dificuldades da historiografia brasileira, o período do regime militar (1964-1985) era mais pródigo em interpretações do que em informações. Diversas perguntas pairavam sobre diversos episódios, como nuvens de chumbo, e as avaliações se dividiam com a mesma carga elétrica que dividiu aqueles anos todos. Com um arsenal exclusivo de arquivos, entrevistas e livros e um texto cortante e denso, o jornalista e agora historiador Elio Gaspari acaba de mudar essa história. A Ditadura Envergonhada (424 págs., R$ 40) e A Ditadura Escancarada (512 págs., R$ 44), que a Companhia das Letras publica, são os dois primeiros volumes da obra em cinco que se chama As Ilusões Armadas e que, desde já, desarma as versões de direita e esquerda sobre seus papéis.

Gaspari recusa a qualificação da obra como uma história abrangente do regime, porque põe ênfases em determinados personagens e processos que não correspondem exatamente às reais. Geisel e Golbery, por exemplo, são os protagonistas do trabalho, tomando a frente de outros como Médici. O livro se preocupa centralmente com a história da repressão militar, ainda que não deixe de contar os movimentos políticos e culturais da época. O segundo volume, especialmente, e como o próprio Gaspari avisa na introdução, dá muito mais atenção às guerrilhas e aos seqüestros, a personagens como Marighella e Lamarca, do que ao ‘milagre econômico’ do governo Médici. Para Gaspari, interessa mais ao Brasil o ocorrido no Araguaia do que o avanço das indústrias. Mas as ênfases não tiram da série a força panorâmica.

Está tudo ali e, melhor ainda, muitas novidades estão ali. Gaspari detém os arquivos de Geisel, Golbery e de Heitor Aquino Ferreira, secretário de ambos, e travou conversas com o trio durante muitos anos, trocando o silêncio pelo acúmulo de informações. Revelam-se muitos fatos e declarações.

Além disso, não faz relato linear e burocrático, mas comenta e analisa as interpretações sobre os episódios e assim lança mais luz ainda. Uma das principais impressões que a leitura dos dois volumes deixa é a de que muitos dos acontecimentos foram mais casuais e auto-alimentados do que se supunha.

A sucessão de atos e contingências parece ganhar moto próprio: muitas das criaturas tomam conta dos criadores, passando de coadjuvantes a determinantes. O que se forma é em grande parte um produto da confusão e dos improvisos, e as mesmas contradições que levam um grupo ao poder são as que de lá o tiram depois.

É por esse motivo que a narrativa de Gaspari pode desagradar tanto a certa direita como a certa esquerda, mas certamente agradará aos leitores que durante tanto tempo buscaram uma interpretação com mais zonas cinzentas - numa história que se caracteriza justamente por ser uma grande zona cinzenta. Mais que todas, a versão de que o golpe de 64 foi dado com um objetivo pré-planejado, com um Projeto Nacional a lhe servir de alicerce, é derrubada. E essa versão satisfazia tanto aos que apoiaram o regime, com ou sem ressalvas, quanto aos que foram as maiores vítimas dele, sem ressalvas.

Para aqueles, o Brasil estava a um passo de ser cooptado pela Internacional Socialista, simultaneamente chafurdando na corrupção e na desordem. Para os adversários, o regime autoritário se instalou para conter um processo que Jango, ainda que vacilante, teria iniciado, como prenúncio de uma era romântica, que engajaria a população em questão de pouco tempo.

No primeiro volume, de 1964 a 68, Gaspari mostra a fragilidade institucional da democracia brasileira pré-golpe, demonstrada pela capitulação das principais lideranças civis ao que seria um corretivo militar, à intenção de Castello Branco de arrumar a casa e reconduzir à democracia já em 1965.

Mostra como Jango, talvez a caminho de um golpe ou suicído político, foi inábil ou irresponsável no auge de uma crise militar, a da rebelião dos marinheiros, e como não tinha condições de resistir ao movimento que, iniciado quase autonomamente pelo general Mourão em Minas, culminou no golpe. Mostra que o governo americano foi informado e estava de prontidão para ajudar o golpe, mas que não foi seu mentor. E mostra como a linha-dura, encabeçada por Costa e Silva, logo foi tomando o primeiro plano e impondo uma reação cada vez mais radical aos protestos de estudantes, jornalistas e artistas.

No segundo volume, de 1968 a 1973, mostra que o AI-5 não pode ser classificado de ‘golpe dentro do golpe’, tal a descrença democrática da maioria dos pais do regime, e mostra sobretudo o peso da anarquia interna das Forças Armadas, tal o medo da insubordinação das ‘bases’. Mostra como a tortura ganhou primeiro a condescendência da cúpula e depois, para enfrentar surtos de ‘terrorismo’, se tornou seu principal instrumento de poder, chegando à lógica do extermínio que teve sua maior expressão no ataque à guerrilha do Araguaia. E mostra os delírios e as ingenuidades dos intelectuais e políticos de esquerda - como Brizola, que teria recebido soldo castrista - que justificavam a luta armada e acreditavam que a população brasileira não estivesse a favor da ‘arrumação’.

Nos dois próximos volumes, a serem lançados no ano que vem, Gaspari deve centrar a narrativa na atuação de Geisel e Golbery e em suas diferenças, cobrindo o período de 1974 a 79. (O quinto volume, ainda não escrito, vai relatar a passagem para o governo Figueiredo, último suspiro autoritário, terminando na explosão da bomba no Riocentro.) E, depois de desmitificar o projeto militar e o sonho socialista, vai novamente mostrar como a armação da abertura pós-Médici veio da falência do desempenho político-econômico dos militares, não de sua benevolência - e tampouco de uma intensa pressão social.

Os atores do regime, na entrada e na saída, tiveram bem menos controle do processo do que se costuma pensar. Queriam pôr as rédeas na anarquia, mas eram eles mesmos um fruto dela. Os extremismos vieram também das circunstâncias históricas, já que o Brasil teve um regime autoritário num momento em que o mundo vivia a liberação contracultural. Ao mesmo tempo, a ditadura brasileira, servida em rodízio, não chegou aos níveis de violência de outras latino-americanas, justamente por seu caráter de despreparo e instabilidade. Mas o que Gaspari retrata é o custo maior do ilusionismo."

Thomas e. Skidmore

"Autor vê País sem a poeira das ideologias", copyright O Estado de S. Paulo, 24/11/02

"Elio Gaspari passou 18 anos preparando um total de cinco volumes sobre a mais recente ditadura militar brasileira, dois dos quais acabam de ser publicados. Cada nova geração precisa ser lembrada desse triste capítulo da história da nação. O autor discorre sobre esse período com eloqüência, ironia e paixão.

Aqueles que já eram adultos durante os 21 anos de vigência da ditadura militar têm sua própria versão da história. Os que chegaram à idade adulta posteriormente depararam decerto com outras versões do ocorrido naqueles anos. Contudo, a versão de Elio Gaspari é sem favor nenhum a mais profunda, a mais rica e a mais definitiva de todas.

O posicionamento do autor não deixa margem a dúvidas. Ele é um crítico incansável do autoritarismo que se instalou no País em 1964. Sua munição vem da pesquisa onívora por ele empreendida, inclusive em materiais de arquivo jamais publicados, entrevistas e informações pessoais, o que certamente proporcionará ao leitor mais exigente a mais completa coleção de documentos já reunida sobre a ditadura. A miríade de fontes consultadas nos traz à mente o fato de que o regime militar brasileiro é sem dúvida nenhuma o mais bem documentado de todos os que vingaram em solo sul-americano. Inúmeros atores contribuíram dos mais variados ângulos possíveis para a fixação por escrito desses registros. Os adversários da ditadura militar brasileira sempre recearam que as provas desse período fatídico pudessem desaparecer ou ser destruídas, e com elas as lições aprendidas. A documentação reunida por Elio Gaspari põe fim a esses temores.

Como saber o momento exato em que uma ditadura decide expor sua verdadeira face? Não é pela censura imposta nem tampouco pela legislação arbitrária que institui, e sim pelo modo como trata os suspeitos de deslealdade. Na epidemia de ditaduras que se seguiram à guerra fria, a ditadura militar brasileira foi uma das primeiras e mais duradouras. Elio Gaspari, historiador e jornalista, decidiu contar-nos essa história. O resultado, como se vê pelos primeiros dois volumes, é um formidável tour de force em que o autor submete à dissecção os anos de chumbo.

Dois processos o fascinam. Um deles é a prática da política militar; o outro, a da tortura, da qual o regime tornou-se dependente. É claro que a história não pára por aí. O autor se ocupa especialmente também da resistência que a sociedade civil opôs à ditadura. Mais do que qualquer outra instituição, a igreja católica tornou-se a única alternativa concreta aos generais. Todavia, não é com a oposição que Elio Gaspari se preocupa fundamentalmente, muito embora os adversários do regime (inocentes ou culpados) apareçam com freqüência como vítimas do governo repressor. Não se trata de um relato que explique de modo cabal os motivos que levaram o Brasil a sair dos trilhos da constitucionalidade nem pretende sê-lo. O que o autor nos oferece é um relato definitivo de como os militares instalaram no País um regime arbitrário e brutal que o mergulhou em um pesadelo. É leitura obrigatória para todo brasileiro que se preocupa com o futuro, sobretudo com os desafios que virão com o novo presidente.

Em que medida a esquerda revolucionária de 1963-1964 (que mais tarde se dividiria profundamente) era de fato uma ameaça? Basta uma retrospecção para vermos que a possibilidade de a esquerda tomar o poder no Brasil (a despeito da precisão do seu diagnóstico) era, de modo geral, bastante ilusória. Como se veria em 1.º de abril, as tropas de Castello Branco investiram contra uma porta que já se encontrava aberta. Os grupos dos 11, por exemplo, liderados por Brizola, existiam apenas no papel. Até mesmo o mais sério dos grupos militantes, a esquerda católica, dispunha de poucas armas e desconhecia as táticas indispensáveis aos verdadeiros rebeldes. A retórica contundente da esquerda assustava muitos à direita e no centro, e também os militares, e acabou contribuindo com aquilo a que os estudiosos chamam de ‘ameaça percebida’, que é o que conta em história. É importante observar ainda que alguns cínicos de direita manipulavam tais percepções em proveito próprio.

O autor trata de modo conclusivo o possível envolvimento externo. O embaixador americano na época, Lincoln Gordon, não fazia segredo nenhum da oposição ferrenha que passou a nutrir pelo governo João Goulart depois de 1963. O presidente Lyndon Johnson recebeu informações detalhadas sobre a possibilidade de um desastre iminente caso o Brasil se tornasse comunista. O relacionamento entre a embaixada e os golpistas mostra que os últimos sabiam que podiam contar com o apoio dos EUA. Depois do golpe, os Estados Unidos forneceram grande parte da ajuda financeira de curto prazo de que o País necessitava. Por volta de 1968, porém, o ‘milagre’ tornou desnecessária a ajuda americana. O boom da economia brasileira nos anos 70 permitiu aos generais ignorar em grande medida as pressões do ‘Tio Sam’.

De igual modo, a Cuba de Fidel Castro teve um papel apenas marginal nessa história. Pouco menos de cem brasileiros aprenderam táticas de guerrilha em Cuba. Naturalmente Fidel demonstrou grande interesse pelo potencial revolucionário do Brasil, porém, por questões logísticas, não foi possível um envolvimento mais significativo. Cuba financiaria a guerrilha liderada pelo ex-governador Brizola na Serra do Caparaó, entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Fracasso - A empreitada, contudo, foi um fiasco:

a guerrilha jamais deslanchou. A esquerda revolucionária brasileira não podia esperar que seus camaradas socialistas viessem do exterior em seu socorro. (Comenta-se que Fidel aguarda até hoje a prestação de contas de Brizola). Seja como for, o mergulho do Brasil na ditadura, bem como a reação que se seguiu posteriormente, tinham raízes no próprio país.

Elio Gaspari faz história como quem escreve um romance. Os retratos que constrói ao longo do texto são memoráveis. Sobre o general Lyra Tavares, ministro da Guerra de Costa e Silva, escreve: ‘Advogado, engenheiro e poeta sob a pseudônimo de Adelita, Lyra veio a ser um ministro desastroso e desprestigiado. Tíbio e vaidoso, entrou para a Academia Brasileira de Letras sem jamais ter feito a paz com a gramática.’ Sobre as celebridades do mundo das artes que participavam dos protestos políticos: ‘Ao lado das figuras fáceis estavam agora Tônia Carrero, sempre contida em suas manifestações políticas, e o pintor Di Cavalcanti, tocado na sua proverbial preguiça.’ Com relação ao embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher, que se tornara alvo dos seqüestros promovidos pela guerrilha, diz ele: ‘Um solteirão de 57 anos, tornara-se conhecido nas salões do Rio pelo bom humor e pela latinha que empunhava como se fosse um talismã.’

O autor não dá muita ênfase ao posicionamento ideológico dos protagonistas.

Para ele, os militares norteavam-se por um anticomunismo primitivo e os guerrilheiros, por fragmentos contraditórios e pouco elaborados do marxismo-leninismo. Para Elio Gaspari, o que estava em jogo era o poder, o que significava controle do aparato estatal. Tampouco procura o autor analisar, nem é sua intenção, quem ganhou e quem perdeu materialmente com o ‘milagre’ econômico. Seu objetivo, que ele realiza de modo admirável, consiste em expor a estrutura arbitrária que tornou possível aos ‘plutocratas’ (o termo é do autor) prosperarem.

A deterioração persistente do clima político no Brasil depois de 1964 era praticamente inevitável dada a dinâmica política de então. Em primeiro lugar, havia uma polarização ideológica tanto na direita quanto na esquerda.

Essa polarização era mais visível nas universidades e escolas secundárias, de onde sairia mais tarde a maior parte dos guerrilheiros. Contudo, uma polarização mais severa era perceptível também entre funcionários do governo e da mídia. As editoras, por exemplo, raramente ficavam neutras em face do contexto político da época. Em suma, politicamente os ânimos eram cada vez mais hostis à idéia de compromisso, um ingrediente fundamental em qualquer governo democrático. (Tradução de Antivan Guimarães Mendes)"

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"Geisel e Golbery entram nos próximos volumes", copyright O Estado de S. Paulo, 24/11/02

"O autor, porém, não se preocupa tanto com as tensões que perturbavam a sociedade civil; mais importante para a história que nos conta são as divisões que na época existiam nas Forças Armadas. Neste ponto, é indispensável que nos detenhamos um pouco na história militar brasileira. É preciso lembrar que o envolvimento muito próximo de oficiais militares nas questões políticas era coisa corriqueira havia no mínimo um século. Esse envolvimento contínuo exacerbara as tensões próprias dessa categoria profissional. Os oficiais de patentes mais baixas, por exemplo, sempre se preocuparam com as perspectivas de promoção. O sucesso nessa área implicava necessariamente uma intensa relação com outros militares. Para estes, era fundamental o cultivo de relações pessoais com o corpo de oficiais, responsável pelas promoções.

Contudo, no momento em que oficiais menos graduados se viram encurralados em um feudo pelos clãs políticos locais, era inevitável que sofressem pressões conflitantes, tanto profissionais quanto políticas. Conseqüentemente, a carreira militar acabava enredada por disputas renhidas travadas em feudos locais ou regionais. Foi exatamente o que se deu na ‘República Velha’, sobretudo durante os anos 20. Foram muitas as carreiras, por exemplo, que deslancharam ou afundaram de vez na Revolução de 30.

No início dos anos 60, os oficiais militares se viram diante da necessidade de decidir se derrubariam ou permaneceriam leais ao presidente eleito constitucionalmente. Uma escolha malfeita poderia relegá-los a um posto sem perspectivas ou coisa pior. O golpe de 64 decidiu o destino de inúmeras carreiras. Alguns oficiais cassados foram para a oposição; outros, juntaram-se à guerrilha.

Os vencedores, por sua vez, recorreram aos novos instrumentos autoritários de poder para pôr fim à carreira de milhares de oficiais e soldados considerados suspeitos politicamente. Era preciso agir com firmeza para que o golpe fosse irreversível. Qualquer contratempo poderia transformar rapidamente os vencedores em derrotados. Assim, os expurgos prosseguiriam durante os primeiros anos do regime militar.

Portanto, em uma crise, o mais importante para os militares é a união - quer seja ela a favor ou contra um governo ou uma facção. Em 1964, 421 oficiais foram transferidos compulsoriamente para a reserva. Ao que parece, o golpe não tinha o respaldo unânime dos militares. Ao longo de todo o período ditatorial, as patentes militares mais altas concentraram-se na preservação da unidade. Isto fez com que se tornassem cada vez mais autoritários. Com o passar do tempo, todos os políticos potencialmente contrários ao golpe foram banidos, portanto, o endurecimento do regime teve como propósito básico o reforço da disciplina militar. A sociedade civil brasileira tornara-se a infeliz parceira de um movimento que trocara a constitucionalidade pelo controle mais rígido da dissidência militar.

O autor chega até 1974 nesses primeiros dois volumes, às vésperas da ascensão ao poder dos generais Geisel e Golbery. Nos próximos três volumes, essa mesma dupla voltará ao centro dos acontecimentos, ocasião em que darão os passos decisivos para a restauração do governo civil.

Dois elementos da biografia de Elio Gaspari mostraram ser de grande utilidade para o autor. Primeiro, sua adesão ao Partido Comunista, o que lhe proporcionou uma visão apurada do pensamento e das táticas da organização esquerdista dominante, e o modo como sua mensagem mudou nas mãos dos guerrilheiros.

Outro elemento importante é o conhecimento íntimo que tem o autor dos EUA, onde morou e trabalhou por muitos anos como jornalista. Isso facilitou a consulta aos arquivos diplomáticos do país, que se mostraram uma fonte inestimável de dados sobre os acontecimentos no Brasil e o modo como reagiram a eles os responsáveis pela formulação das políticas americanas.

Elio Gaspari conclui o segundo volume com o relato de um dos episódios mais absurdos do período militar: a guerrilha do Araguaia, uma região obscura no coração da Amazônia. Um grupo de militantes do Partido Comunista do Brasil havia implantado um foco de resistência na região. Quando o Exército os localizou, em 1972, havia menos de 70 guerrilheiros no local. Oficiais militares de alta patente deram a essa ameaça remota e insignificante um status descabido, muito embora o Exército precisasse de vários anos para liquidar esse grupo parcamente armado. Enquanto isso, os brasileiros não sabiam praticamente nada sobre o drama do Araguaia. Era como se os rebeldes houvessem erguido um acampamento em outro planeta. A selva brasileira nem de longe reproduziria os mesmos acontecimentos heróicos de Sierra Maestra, em Cuba.

Entre os protagonistas da história narrada por Elio Gaspari não há heróis nem heroínas. Homens e mulheres decentes viram seus princípios mergulharem rapidamente em um submundo de imposturas e traições. Entre os que optaram pela luta, poucos escaparam da morte violenta ou da insanidade. Para o autor, é terrível a força do mal. Nos próximos volumes, saberemos de que forma a sanidade foi restaurada. (Tradução de Antivan Guimarães Mendes)"


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