Alexandre Pelegi
Victor Gentilli
Nilson Lage




MEMÓRIA

Maluf e ACM

Alexandre Pelegi de Abreu (*) - ESTRÉIA


Não leio todos os jornais, todos os dias. Mas leio muitos jornais, sete dias por semana. Acredito que sejam os principais jornais do país: JB, O Globo, Estadão, Folha, Gazeta Mercantil, JT e Diário Popular. Todos eles vêm cobrindo as farfalhices e traquinadas da dupla Maluf/ACM, e nenhum deles fez, até aqui, nenhuma referência mais explícita ao passado desta dupla.

Como por exemplo o que ocorreu na época do Colégio Eleitoral, quando Maluf, tentando reeditar o que fizera com Natel, atropelou o ungido pelo regime, o tocador de obras Andreazza. Só que deu com os burros n’água: ACM e sua trupe correram pro palanque de Tancredo, e o então "Toninho Malvadeza" ganhou o patético apelido de "Toninho Ternura". Na época, o referido "Toninho" tascou a pecha de "ladrão" no Sr. Maluf (ver abaixo remissão ao texto "Jornalismo de Tiroteio"), e hoje ambos posam de vestais e amigos desde criança...

Ninguém contou com o devido destaque, coisa que a Gazeta Mercantil fez quando o pirotécnico Requião começou a aparecer nas ondas da CPI dos precatórios (ver abaixo remissão ao primeiro texto de Alberto Dines descrevendo neste OBSERVATÓRIO a trajetória de Requião).

Os precatórios passaram, e o Sr. Requião é candidato. Coisas da política tupiniquim, mas a Gazeta cumpriu o dever de informar, e fez uma pequena, concisa e reveladora biografia do senador. Por que ninguém faz o mesmo com a dupla Maluf/ACM? Será que fizeram, e não li? Duvido...

Recordar é viver

Duas leituras obrigatórias: a primeira é o livro escrito por jornalistas (Dimenstein, Noblat e outros) com o sugestivo título de O complô que elegeu Tancredo. À página 184 estampa foto de um sorridente ACM segurando uma camiseta de campanha, onde se lê: "Maluf Não". Já na página 231 é transcrita uma carta do mesmo ACM, na qual, bem a seu estilo, desanca o então Ministro da Aeronáutica do governo Figueiredo, Délio Jardim de Mattos, e onde se pode ler:

"Trair a revolução de 1964 e a memória de Castello Branco e Eduardo Gomes é apoiar Maluf para Presidente. Trair os propósitos de seriedade e dignidade da vida pública é fazer o jogo de um corrupto, e os arquivos dos órgãos militares estão com as provas da corrupção e da improbidade."

Já o livro de Thomas Skidmore De Castelo a Sarney relembra, à página 477: "O ex-governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, declarou em agosto de 1984 que Maluf era o homem mais odiado do Brasil e que não podia andar um quarteirão sem arriscar sua vida". E relembra que, imediatamente após esta declaração, os advogados de Maluf entraram com um processo por injúria contra ACM...

ACM o chamou de corrupto, citou arquivos da ditadura que comprovavam suas afirmações. Maluf o processou por injúria.

Etc., etc., etc., etc.

Por que ninguém fala nada?



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Luís Carlos Santos

A.P.A.


Pela oportunidade: eu estava presente. O ano: 1983, início do ano legislativo na Assembléia paulista. O então deputado estadual Luís Carlos Santos quase se engalfinhou com o deputado José Yunes; como sempre, por motivos fúteis. O fato se deu no interior da sala da liderança do PMDB, então ocupada pelo deputado Luís Máximo. Quando a turma do deixa-disso agiu, e o deputado Yunes saiu, Luís Carlos Santos desabafou.

Não agüentava aquele sujeito, e contou o principal motivo: fora ele, Luís Carlos, quem tivera a brilhante idéia de produzir um livro contando (e explorando) as falcatruas do Sr. Maluf, então ex-governador e inventor do crime da Paulipetro. O Sr. Yunes, segundo ele, roubara-lhe a idéia, produzindo o livro A má lufada que abalou São Paulo, e garimpando na onda do anti-malufismo milhares de votos. O oportunista Yunes havia dado uma rasteira no oportunista Luís Carlos.

Anos depois, Luís Carlos mostrou que é mais competente que Yunes. Este não se reelegeu mais. Já Luís Carlos perpetrou seu oportunismo com gente como Quércia, Fleury, FHC e agora Maluf.

De quem quer ser Vice. O mesmo Maluf que, há 15 anos atrás, chamara de ladrão. Tal qual ACM. Tudo gente boa... Os tucanos que o digam...

(*) Consultor na área de informações, escreve no Diário Popular a seção diária Saque Rápido, parte da coluna Diário Econômico.



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Aide-mémoire

M.M.


Em 20 linhas, a trajetória de Paulo Maluf na vida pública. Só política, sem os escândalos.

Nomeado em 1967 presidente da Caixa Econômica Federal de São Paulo pelo ministro da Fazenda do general Costa e Silva, Antônio Delfim Netto. Emml 1968, assume a presidência da Associação Comercial de São Paulo. Em 1969, nomeado prefeito de São Paulo. Obras viárias. Em 1971, sai da prefeitura para a Secretaria de Transportes do governador Laudo Natel. Obras viárias.

Em 1976, presidente da Associação Comercial de São Paulo. Em 77, é contra a extinção do AI-5. Em 78, pela Arena, partido da ditadura, elege-se indiretamente governador de São Paulo. Obras viárias, Paulipetro. Em 82, deputado federal pelo PDS, sucessor da Arena.

Desaloja Mário Andreazza da candidatura pelo PDS à presidência, perde para Tancredo no Colégio Eleitoral, em 1985. Em 86, é derrotado por Quércia. Em 88, por Erundina. Em 89, na eleição presidencial, quinto lugar. Taxa de rejeição sempre por volta de 50% do eleitorado. Passa 11 anos sem fazer obras viárias.

Muda a imagem, diminui a rejeição, consegue, 23 anos depois de entrar na política, a primeira vitória em eleições majoritárias. Resultado: obras viárias. Erundina deixa em 1992 dívida total de R$ 2.883 milhões; Maluf, em 1996, de R$ 7.670 milhões: "Depois da gastança durante a campanha eleitoral, a prefeitura ficou à míngua e a cidade abandonada" (Veja São Paulo, 3/12/97). Por enquanto, é só.



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LEIA TAMBÉM

"Jornalismo de tiroteio", M.M.

"Anatomia do Pittagate", Alberto Dines



Continua





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